EU PRESTO ATENÇÃO NO QUE ELES DIZEM, MAS ELES NÃO DIZEM NADA!

                                                     
           
Dentre as grandes lutas da humanidade para descobrir os segredos da vida, há uma certeza concedida somente aos seres humanos, e que esses fazem questão de esquecer. A consciência de que se vai morrer, nesse mundo, cada vez mais capitalista e materialista, faz com que as pessoas caminhem para a morte pensando em vencer na vida. E essa vitória existencial, chamada de felicidade, que as pessoas disputam, como galos numa rinha, vem nutrindo as inspirações dos artistas, que, com suas nobrezas d’alma, desde as eras do Renascimento e do Iluminismo, vêm dando toques que, na maioria das vezes, não são entendidos por todos.
Nesse contexto, cantores e compositores brasileiros, indo
muito além do entretenimento, deixaram seus recados. Raul Seixas diz: “...tá na hora do trabalho, tá na hora de ir pra casa, tá na hora da esposa e enquanto eu vou pra frente toda a minha vida atrasa...” Criticando o sistema de neoescravidão a que o homem se submete sem notar. E completa: “...e as mensagens que nos chegam sem parar, ninguém pode notar, estão muito ocupados pra pensar...” E estão mesmo ocupados, por um preceito que os mantém trabalhando de segunda a sexta, restando-lhes somente o final de semana, quando tudo está fechado e quase não se tem lugar para ir. Belchior identifica que a falta de um ofício, de uma arte, de esclarecimento, e o êxodo rural, empurram a maioria das pessoas para subempregos que garantem somente a sobrevivência: “...o proletariado fingido, estreando a vida fácil, meu amor...” Raul Seixas acrescenta “...já te entregam tudo pronto, em nome da ciência e em troca da vivência, e onde é que está a vida? E a minha independência?...” Os Titãs, mais recentemente, arremataram: “a gente não quer só comida, a gente quer bebida diversão e arte... Saída para qualquer parte...”
Por tentarem abrir as mentes das pessoas, antigamente os artistas eram ferozmente combatidos pelos grupos sociais dominantes, que sempre defenderam as oligarquias, ou seja, a manutenção do poder nas mãos das mesmas minorias elitistas, como diz Belchior: “ato violento e cruel, ora ora! Você já ouviu falar em política ou não?...” Complementa Belchior: “...nos tratam como gente, é claro, aos pontapés...” Gilberto Gil adiciona: “...amigos presos, amigos sumindo, assim, pra nunca mais...” Raul Seixas ensina: “...não bulo com governo, nem polícia, nem censura, é tudo gente fina, meu advogado jura...” Por conta disso, pergunta-se quem estaria certo. Roberto Carlos que, há quem diga que covardemente, disse no momento de turbulência: “...é preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer, é preciso saber viver?...” ou Raul Seixas que diz: “...coragem! Eu sei que você pode mais?...”


 
 Atualmente as pessoas continuam robotizadas, como diz Belchior: “...vivia o dia e não o sol, a noite e não a lua...” Na roupagem de democracia, mas numa neoimposição, os mesmos sistemas impedem que as mensagens sejam entendidas, porém, agora, com a incisão de uma cultura imbecilizadora, pela qual fazem com que as pessoas percam tempo com assuntos imbecis na internet, com o mau uso das redes sociais, assistindo na televisão a programas, igualmente, imbecis, e cultuando artistas que se renderam ao sistema perverso. E nestes cantores e compositores, engaiolados, como diz Engenheiros do Hawaii: “Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada...!” 

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