Parabolicamente, se conta que dois
mendigos que, muitas vezes, para comer alguma coisa iam à roça do "Tio
Carreira" (porque quando o dono chegava, eles saíam na carreira... kkk);
passavam as noites na casa da Tia-Marquise (ao relento debaixo das marquises das
lojas... kkk). Num dia de domingo, os dois acordaram, como sempre, com fome. o
primeiro, chamado Smolet, disse que iria à feira-livre, onde poderia aproveitar
os restos de frutas e verduras, no que o outro mendigo, conhecido como Passfome,
disse que não iria à feira comer coisas podres, iria se aventurar na área nobre
da cidade. Assim, se despediram e cada um foi para seu lado.
O Smolet, que foi à feira, estava feliz, pois em cada barraca que
passava, pedia: "uma esmola pelo amor de Deus...!" E era sempre
atendido, apesar de receber alimentos com a metade apodrecida. O outro, Passfome,
tinha um único pão em sua sacola, mas aquele pão era uma espécie de reserva de
garantia de comida, e já tinha vários dias, parecia o pão-que-o-diabo-amassou.
Ou melhor, estava tão duro que nem o diabo conseguiria amassar... Em sua aventura pelo bairro nobre da cidade, por
volta das 13h00, já num desespero alimentar, o pobre homem avistou uma grande
fila à frente de um castelo. E do alto de uma torre, o rei aparecia com uma
maçã nas mãos. Passfome não poderia imaginar outra coisa, a não ser que ali estariam
dando comida. Ele concluiu que se alimentaria com qualidade, entrou na quilométrica
fila e passou a pensar no seu amigo Smolet, que estaria comendo frutas podres
na feira, e se sentiu orgulhoso de sua própria escolha e de sua sorte de ter
encontrado aquele lugar.
Na verdade o rei estava fazendo uma
espécie de concurso para descobrir o homem mais inteligente da localidade para
se casar com a princesa, sua filha, e herdar toda a fortuna do monarca. O rei
fazia uma mímica com a maçã, e como os homens não decifravam a mensagem secreta,
iam sendo reprovados. A fila andava rapidamente, e Passfome começou a ficar
preocupado, porque via todos saindo da fila, um a um, com as mãos vazias, sem ganhar
comida. Passou a pensar na possibilidade de ter de comer aquele pão terrivelmente
duro, que tinha na sacola. Já estava cabisbaixo, desanimado, quando,
finalmente, chegou a sua vez na fila. O rei segurou a maçã com muita força e
estendeu o braço na direção de Passfome, demonstrando raiva e reprovação.
Passfome, instintivamente, retirou de sua sacola o pão duro e, da mesma forma
veemente, estendeu o braço na direção do rei. O monarca, agora, estendeu o braço
violentamente para cima, apontando para o alto com dois dedos (indicador e
médio), e em resposta Passfome levantou o braço apontando para o alto com o
dedo médio e, com violência, movimentou o braço de forma circular. O rei desceu
de sua torre e Passfome foi embora revoltado. Pensou em comer o pão, mas não
teve coragem. Queria somente chegar em casa para compartilhar o resto da comida
conseguida pelo seu amigo Smolet.
No castelo, um alvoroço. O rei estava
desesperado pedindo aos comandados que encontrassem aquele homem (Passfome),
pois ele havia descoberto a mímica real e seria o ganhador do maior prêmio. As pessoas
do castelo rodearam Sua Majestade, pedindo que revelasse a mímica, e o rei
explicou: “Mostrei a ele o símbolo do pecado, que é a maçã, e ele me mostrou o
símbolo da salvação, que é o pão. Apontando os dois dedos para o céu, eu disse
que eu e Deus somos os maiores, e ele respondeu, com o dedo médio para o alto,
que Deus é o maior, e ainda girou o braço para dizer que Deus governava o mundo
todo”.
De volta ao seu local de dormir (na casa
da Tia-Marquise), Passfome se encontra com o amigo Smolet que relata que comeu
até não aguentar mais, na feira, e questiona como foi a aventura de Passfome. Este
passa relatar: “Rapaz...! encontrei uma fila na frente daquele castelo e o rei parecia
que estava dando comida. Mas eu acho que o rei não foi com a minha cara, não! Depois
de muito tempo na fila, morrendo de fome, quando chegou a minha vez, o rei
pegou uma maçã e fez que ia jogar na minha cara!
Ele não teve o que fazer, fez que ia enfiar dois dedos no meu traseiro.
Aí eu não aguentei... Eu fiz que enviava um dedo no dele e rodava, de com força!”
Eu, já enraivado, peguei este pão duro e fiz que jogava na cara dele, também!
Ele não teve o que fazer, fez que ia enfiar dois dedos no meu traseiro.
Aí eu não aguentei... Eu fiz que enviava um dedo no dele e rodava, de com força!”








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